sábado, 2 de julho de 2011

Falsos acompanhados

O meu coração

Afoga-se em seu próprio sangue

Não coagulado

Sinal de que ainda está vivo



A existência solitária de cada dia

Vai o matando aos poucos



O eu e você não existe

Nunca existiu



O triste momento de escrever

Só me presencia de mim mesma



Vou me conhecendo

Só me conhecendo e mais nada

Não conheço o interior de ninguém em especial

Só o meu

Quase coagulado

E rígido

Sedimentado com o cimento seco da solidão



Quando tudo cair novamente

Os meus passos vão parar

De seguir pelas ruas

E vão seguir

Pela crise de existência

Que voltará a me atormentar



Tenho que parar de seguir

Sem caminho demarcado

Sem caminho acompanhado

Tenho que parar de sentir

Falsos acompanhados            Jaqueline Riquelme






Nenhum comentário:

Postar um comentário